Inicialmente, o uso de lobistas de Washington pela TotalEnergies para forçar um empréstimo vital dos EUA para o seu projecto de exportação de gás de 20 biliões de dólares na província de Cabo Delgado saiu pela culatra.
A TotalEnergies da França ofereceu aos lobistas um bónus se eles conseguissem garantir a aprovação do empréstimo do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (Eximbank), antes que Donald Trump fosse empossado. A TotalEnergies presumiu que Trump, assim como os seus apoiantes da política “América Primeiro’, se oporia a um empréstimo para uma empresa petrolífera francesa, mas o antigo Conselho da Administração do Eximbank adiou a decisão. Então Trump usou os seus poderes para nomear um novo Conselho do Eximbank e, com alguma surpresa, aprovou o empréstimo em 13 de Março.
Parece que o novo Conselho foi persuadido a fazer o empréstimo de 4,7 biliões de dólares à multinacional francesa TotalEnergies para o desenvolvimento de um projecto de exploração de Gás Natural Liquefeito (GNL) na área 4, na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, com uma capacidade prevista de liquefação de 13,1 milhões de toneladas anuais.
Trata-se do maior empréstimo da história do banco tendo como fundamentos a expansão da produção de combustíveis fósseis e a obtenção de contratos e empregos pelas empresas dos EUA.
O Eximbank diz que o empréstimo dará suporte a cerca de 16.400 empregos americanos ao longo dos cinco anos do projecto de construção. Ele acrescenta que o dinheiro será usado para dar suporte à engenharia, aquisição e construção da planta de GNL onshore, instalações relacionadas e actividades offshore.
O comunicado oficial do Eximbank minimiza os benefícios financeiros para a França e Moçambique. Ele também omite detalhes sobre o contexto de segurança política – que o projecto de gás é protegido por tropas da Força de Defesa do Ruanda contra ameaças de insurgentes jihadistas que operam na província de Cabo Delgado.
O empréstimo também pode encorajar os rivais da Total que também esperam financiar os seus projectos na região. A decisão do empréstimo foi fundamental para a viabilidade do projecto na península de Afungi, que deve ser relançado em meados de 2025.
A aprovação foi a primeira do Eximbank desde a tomada de posse de Trump e será seguida por mais projectos de combustíveis fósseis. O Eximbank também está a considerar se deve financiar o projecto rival, Coral Norte LNG, liderado pela italiana Eni, um projecto com uma capacidade prevista de 3.4 milhões de toneladas anuais de gás natural liquefeito e que será instalado na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.
O novo terminal flutuante será instalado cerca de 20 quilómetros a norte do Coral Sul, o primeiro empreendimento de exportação de GNL em Moçambique, também operado pela Eni, e que entrou em funcionamento no fim de 2022.
O Coral Norte, ao contrário dos projectos em terra, tem a vantagem de ser uma plataforma offshore, reduzindo significativamente os riscos associados à segurança na região.
O sucesso do Coral Sul que tem operado sem perturbações desde o seu arranque reforça a confiança da Eni no desenvolvimento de mais uma unidade de liquefação na Bacia do Rovuma.
Alguns comentaristas conservadores dos EUA, como o Wall Street Journal, questionaram porque o US Exim deveria financiar um projecto liderado pela França. No entanto, a aprovação do empréstimo, originalmente concedido durante a primeira presidência de Trump em 2020, é vital para outro projecto em Moçambique a ser executado pela ExxonMobil. Em 2020, o US Exim justificou o empréstimo afirmando que, se não conceder o dinheiro, a China ou a Rússia financiariam o projecto.
Em Fevereiro, uma delegação da ExxonMobil conversou com o presidente Daniel Chapo, que ainda enfrenta oposição sobre a alegada fraude eleitoral, e reafirmou o seu comprometimento com o seu próprio projecto em Cabo Delgado, repetidamente adiado. Em Novembro, o Exxon adiou os seus planos para uma decisão final de investimento em Rovuma para 2026.