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21 de Fevereiro, 2025

Tensão pós-eleitoral afecta 955 empresas e arrasta 17 mil pessoas ao desemprego

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) apurou que de forma directa 260 empresas foram afectadas nas primeiras três fases e outras 695 na última fase de Dezembro, totalizando 955, segundo a avaliação preliminar das manifestações ocorridas no último trimestre de 2024. Os dados foram divulgados esta quinta-feira (20) em Maputo, durante o XVIII Economic Briefing organizado pela CTA para discutir o desempenho das empresas durante o quarto trimestre de 2024.

 

“Destas, cerca de 51% sofreram vandalizações totais e/ou saques das suas mercadorias. Agregando os valores das perdas em todas as fases, podemos afirmar com certeza que o impacto das manifestações foi negativo e custou à economia cerca de 32,2 mil milhões de Meticais, arrastando consigo mais de 17 mil postos de emprego”, detalhou o Presidente da CTA, Agostinho Vuma.

 

Dados da CTA detalham que, das 955 empresas afectadas, a maioria é do sector do comércio e, em termos de empregos, a província de Maputo foi a mais afectada, onde 6700 postos de trabalho foram perdidos. Por consequência das manifestações, o Presidente da CTA reportou que o Índice de Robustez Empresarial no quarto trimestre de 2024 fixou-se em 25%, uma redução de 5% face a 30% do terceiro trimestre.

 

“Para a reconstrução dos activos empresariais perdidos com as vandalizações e apoiar as empresas na tesouraria, será imprescindível a criação de um Fundo para a Recuperação Empresarial, particularmente, das 955 empresas directamente afectadas. A par destas medidas, propomos a reestruturação dos empréstimos dos clientes afectados pelos protestos”, sugere o Presidente da CTA.

 

Na ocasião, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, garantiu que o Governo vai envidar esforços para apoiar a recuperação das empresas afectadas e a economia em geral, no que diz respeito ao acesso ao crédito.

 

Muhate começou por explicar que, ciente do impacto negativo da tensão pós-eleitoral, o Banco de Moçambique reduziu há dias a Taxa de Juro de Política Monetária (vulgo taxa MIMO) e dos coeficientes de Reservas Obrigatórias. “São passos importantes para melhorar o acesso ao crédito. No entanto, vamos trabalhar para garantir que os bancos comerciais facilitem o financiamento às Micro, Pequenas e Médias Empresas, de modo a impulsionar a sua resiliência e crescimento”, afirmou o governante.

 

Para acelerar a recuperação e o crescimento das MPME, o Ministro acrescentou que o Governo vai apostar na industrialização e na adopção de tecnologias digitais, com vista a apoiar a modernização das cadeias produtivas e criar um ecossistema onde os pequenos negócios possam integrar-se nos sectores estratégicos da economia.

 

“Queremos reafirmar que as MPME são a espinha dorsal da nossa economia. O compromisso do Governo é criar as condições para que floresçam, mas também contamos com o envolvimento activo do sector privado para que, juntos, possamos transformar desafios em oportunidades. Comprometemo-nos em indicar que continuaremos a trabalhar com a CTA e os demais actores visando encontrar formas e soluções para mitigar os efeitos das manifestações na perspectiva de devolver o bem-estar social”, assegurou o Ministro. (Evaristo Chilingue)

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