Graças ao afável convite do Jaime Mirandolino, o grandíssimo mestre de cerimônias que ultimamente é solicitado em todas, modéstia à parte, um dos melhores da praça, destro, versátil, com grande capacidade de comunicação e de humor; e graças também ao patrocínio do Lourenço Jossias, o meu primeiro chefe de reportagem no semanário Domingo e com quem tenho convivido em muitas vezes, no passado dia 8 de Março fui dar à vila de Moamba, sede do distrito do mesmo nome, na província de Maputo. Uns 70 quilômetros da cidade de Maputo. Ka Mwamba, nas línguas locais (Xi Rhonga e Xi Txangana). Não que não conhecesse, conheço o distrito há bastante tempo; já lá estive inúmeras vezes.
Talvez por ter sido sábado, e naquele período das onze, onze e meia, não havia aquele horrível fluxo de camiões para todos os sentidos a grandes velocidades, metendo medo a tudo e a todos, e nem aquele congestionamento congênito no percurso semáforo do cruzamento da Mozal até mais ou menos ao famoso Nó de Tchumene.
A viagem foi bastante agradável… agradável, sim, mas não no todo, apenas no percurso da N4. Do desvio até à vila, é a outra história que estou para contar. A começar pela minha própria viatura… surpreendeu-me bastante. Duas semanas antes, eu tinha ido até Macia, na província de Gaza, pela nossa EN1. As qualidades dos pavimentos das duas estradas são completamente diferentes, antônimas, digamos assim. No percurso para Macia, parece que o chão, o alcatrão puxa o carro para trás, não deixam as rodas rolarem à vontade; ao contrário, na N4, a estrada parecia empurrar a viatura, as rodas deslizam à vontade… por boas vezes, surpreendi-me com o ponteiro de velocidade a passar os 120 quilômetros por hora, a caminho dos 140 e lá tirava o pé!…
Um prazer de condução que termina abruptamente logo que se entra no desvio. Mal sai da N4, uns bons buracos lhe dão o well come. E a via, toda ela, até à vila, um percurso de cerca de 30 quilómetros, está em muito péssimo estado. De asfalto, já quase nada sobra. Mais parece uma estrada de terra batida com algumas pedras aqui, ali e acolá. É um martírio percorrer aquela via. Lembra a estrada para Magude, a partir do cruzamento de Xinavane. Parecidíssimo! Tudo em péssimas condições!
À medida em que se vai aproximando de Ka Mwamba, vai-se encontrando as primeiras construções, casas e outras infraestruturas, dá a sensação de se estar a entrar numa vila abandonada, bastante degradada, construções, edifícios abandonados, todas elas empoeiradas, sem sinal de… vida, beleza, arte e mesmo limpeza; até o famoso hotel Capulana (a propósito, como está a rede de hotéis Capulana?), à esquerda quando se entra na vila, está completamente abandonado, bem escombrado. Noutros quadrantes, quando se aproxima de uma vila, os sinais de fluorescência são gritantes: boas e bonitas pavimentações, pavimentos bem demarcados, boa urbanização, boa organização das estradas, boa sinalização… belas construções, boas casas, bons e lindos edifícios, jardins bonitos… Ali… nheto!
O ponto de encontro dos convidados era o hotel Moamba: uma decepção total e autêntica! Mais parecia escombros, um edifício abandonado, cansado, com pintura bastante vergastada, além de empoeirada. Mal se percebe que se está no centro da vila, a famosa vila de MOAMBA! Lembra igualmente Magude, com o seu Xinavane misturado. Tudo cinzento, urbanização precária, de baixo nível: vilas, estradas e edifícios sem glamour, encanto nem ânimo, ruas abandonadas há décadas, bastante esburacadas, passeios completamente tomados pelos vendedores, barracas e barraquetas estendidas por todos os lados. Não encontras um bairro completamente bem organizado, as tais zonas de expansão são uma profunda confusão, tamanha é a desorganização, anarquia e desgovernação.
A vila de Moamba lembra, também, a vila de Magude! Com caras de pobres abandonadas! Mas não só caras… a pobreza absoluta, a fome aguda, o desespero social nestes distritos é bastante abundante!
Mas… nem Magude, nem Moamba é pobre; ao contrário, têm todas as condições de serem distritos e terem as suas vilas sumptuosas, glamorosas, fluorescentes. Moamba e Magude, distritos vizinhos, são dos maiores criadores de gado bovino e caprino do país; podem e bem albergar uma indústria de carnes e derivados; podem e bem alavancar o desenvolvimento das suas vilas. Moamba e Magude têm grandes potencialidades agrícolas, com recursos hídricos para regadios e irrigação; bem podem transformar-se em grandiosos produtores de várias culturas, como milho, mandioca, hortícolas e hortaliças…
Não estamos a conseguir converter, transformar as nossas potencialidades em práticas reais sustentáveis e transformarmos as nossas vidas, urbes, comunidades e ou distritos em efectivos polos de desenvolvimento. Que pena!
Mas, o convívio, esse, em casa do Mirandolino, foi excelente. O jovem tinha juntado ali muitos homens da escrita e da cultura, das velhas gerações até à chamada geração android. Escribas como Salomão Moiane, Fernando Gonçalves, Rogério Sitoe, Lourenço Jossias, Alexandre Chiure, Seródio Towo, Romeu Carlos, Reginaldo Tchambule… o embondeiro David Abílio saborearam a cabritada e a picanha oferecidos ao som da música de António Marcos e Sérgio Muiambo, acompanhados pela Banda Real. Actuou também Zoco Dimande e os Galtones da Banda Real…
Foi um sábado muito bem passado!