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segunda-feira, 09 dezembro 2024 08:23

Eleições 2024: Activista social denuncia tentativa de assassinato

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O activista social e coordenador da Plataforma de Monitoria Eleitoral DECIDE, Wilker Dias, denunciou, este domingo, uma tentativa de assassinato por envenenamento, ocorrida na última sexta-feira, em Maputo. O facto, cujos rumores vinham circulando nas redes sociais, foi confirmado pelo próprio activista, em vídeo publicado na sua página do Facebook.

 

Segundo Wilker Dias, que há dias apresentou, à PGR, uma queixa contra o Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, e o Ministro do Interior, Pascoal Ronda, responsabilizando-os pela violência policial nas manifestações populares, o veneno (denominado arsénico, um composto branco extremamente tóxico e venenoso) foi colocado na sua água mineral.

 

“O sucedido [tentativa de assassinato] ocorreu na sexta-feira última. Depois de ter ingerido água mineral, comecei a passar mal e valeu a intervenção de três jovens, que prestaram os primeiros socorros e fizeram com que conseguisse recuperar e até tirar um pouco daquilo que já havia ingerido”, contou.

 

Wilker Dias afirma que o veneno foi detectado no hospital, para onde foi evacuado após a ocorrência. “Tive assistência hospitalar, onde detectaram vestígios em quantidades consideráveis de arsénico, que é uma espécie de toxina que, colocada na água, pode causar danos até à morte”.

 

O activista não especificou o local onde o envenenamento ocorreu e nem o hospital onde foi atendido. No entanto, informações não confirmadas indicam que Wilker Dias sofreu a referida tentativa de assassinato numa estância hoteleira de Maputo. “Carta” não conseguiu falar com o activista.

 

“Estou bem, a luta continua e vamos, sim, continuar a defender os direitos humanos. Como dizem, tenho sete vidas, já foram duas e tenho cinco. Ainda tenho forças para continuar a lutar. Vamos a isso, irmãos”, defendeu, no vídeo de pouco mais de 1 minuto e 45 segundos.

 

Refira-se que Wilker Dias é um dos activistas que tem estado na linha da frente na defesa dos direitos humanos, no âmbito das manifestações populares convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane. Aliás, para além do envenenamento de Wilker Dias, a Plataforma de Monitoria Eleitoral DECIDE denunciou também a tentativa de sequestro do seu Oficial de Comunicação, ocorrido no sábado, na cidade da Beira.

 

Dados compilados pela Plataforma DECIDE, que em Outubro último interrompeu a sessão da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos para alertar sobre atropelos aos direitos humanos em Moçambique no contexto eleitoral e protestar contra o assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe, apontam para a morte de pelo menos 90 pessoas desde o início das manifestações, a 21 de Outubro. (Carta)

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