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31 de Outubro, 2022

Banco Central reconhece o limitado consumo de crédito pela economia

O Banco de Moçambique diz que o crédito à economia continua a crescer a ritmos marginais, devido às condições financeiras mais restritivas que o sistema apresenta e num contexto de redução de rendimentos disponíveis em face do aumento de preços dos bens e serviços.

 

Quando fala em condições restritivas, refere-se (de entre vários factores), ao aumento das taxas de juro no mercado financeiro para combater a inflação, mas que em contrapartida tornam o dinheiro mais caro na banca comercial, para as empresas e famílias. Por exemplo, em Julho passado, a taxa de juro de Política Monetária (taxa MIMO) cresceu de 15,25% para 17,25%, uma subida de 2%.

 

Quanto maior é o custo do dinheiro, menor é o poder das empresas e famílias de pedi-lo em empréstimos. Quando é assim, os bancos comerciais preferem emprestar ao Estado, com melhores garantias em relação a um cidadão ou empresa. Devido a este factor, dados do Banco Central, disponibilizados recentemente um relatório, indicam que, de Janeiro a Setembro do ano em curso, a dívida interna do Estado aumentou, em termos acumulados, em 44.3 biliões de Meticais, situando-se em 263 biliões de Meticais, destacando-se a emissão de Obrigações do Tesouro e utilização de Bilhetes do Tesouro.

 

O aumento da dívida ao Estado em detrimento do sector privado deve-se à redução do apoio externo por causa das dívidas ocultas. “No curto prazo, prevê-se que esta pressão se mantenha, não obstante a materialização do apoio directo ao orçamento, no âmbito do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, lê-se no documento relatório do Banco Central.

 

Mesmo nesse quadro de fraco crescimento do crédito à economia, o relatório, denominado “Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação”, assegura que, no curto prazo, mantêm-se as perspectivas de recuperação da actividade económica, devido à evolução favorável dos preços das mercadorias de exportação, à execução de projectos energéticos estruturantes no país e ao apoio directo ao orçamento no âmbito do programa com o FMI. “Porém, a actividade económica continuará abaixo do seu potencial. Estas perspectivas estão em linha com a avaliação favorável das empresas do ramo industrial”, conclui o documento. (Carta)

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